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Molhos

Maionese industrial

É a mesma física da mortadela, mas a frio e ao contrário: aqui a água encapsula o óleo. E há um número que não se negocia, porque dele depende a segurança do produto: o pH.

Formulação por 100 kg de produto

ComponenteQuantidadePara que está ali
Óleo vegetal refinado70 – 80 kgA fase dispersa. Deve ser neutro e fresco: um óleo com índice de peróxidos alto arruína a vida útil desde o primeiro dia.
Gema de ovo pasteurizada5 – 8 kgO emulsificante. A lecitina da gema é o que permite que água e óleo convivam.
Água8 – 12 kgA fase contínua.
Vinagre (ácido acético)3 – 6 kgNão é só sabor: é a barreira de segurança. Leva o pH abaixo de 4,1.
Sal1,0 – 1,5 kgSabor e contribuição à conservação.
Açúcar1 – 3 kgEquilibra a acidez.
Mostarda em pó0,3 – 0,8 kgDá sabor e ajuda a estabilizar a emulsão.
Conservante (sorbato, benzoato)0,05 – 0,1 kgConforme o que a norma do país de venda permitir.
EDTA0,0075 kgSequestra metais que catalisam a oxidação do óleo. Dose baixíssima, efeito enorme.
Processo

Passo a passo, com as temperaturas.

01

Preparar a fase aquosa

Água, sal, açúcar, mostarda e parte do vinagre. Dissolver completamente antes de seguir.

02

Incorporar a gema

Adicionar a gema pasteurizada à fase aquosa com agitação suave. Nunca gema crua: o risco de Salmonella não se assume em produto industrial.

03

Dosar o óleo

Adição lenta e contínua sob agitação forte. A velocidade de adição determina o tamanho de gota, e o tamanho de gota é a estabilidade.

04

Homogeneizar

Moinho coloidal para levar a gota abaixo de 5 µm. Uma emulsão grossa separa na prateleira mesmo saindo bem da fábrica.

05

Ajustar o pH

Resto do vinagre até pH inferior a 4,1. Mede-se, não se calcula.

06

Envasar

Envase com mínima incorporação de ar. O oxigênio aprisionado é o que rancifica o produto.

Ponto de controleValor
pH final< 4,1 (crítico para a segurança)
Óleo sobre o produto70 – 80 %
Tamanho de gota objetivo< 5 µm
Vida útil6 – 9 meses à temperatura ambiente
OvoPasteurizado, sem exceção
Temperatura de processo< 25 °C
Diagnóstico

O que deu errado e por quê.

Metade do ofício é ler o defeito. Estes são os que aparecem sempre.

O que se vêO que causou
A emulsão quebraÓleo adicionado rápido demais, emulsificante insuficiente ou temperatura alta durante o processo.
Separação de óleo na prateleiraHomogeneização insuficiente: a gota ficou grande. Sai bem da fábrica e falha no ponto de venda.
Sabor rançosoÓleo de má qualidade, ausência de EDTA, ou excesso de ar no envase.
Cor amarela pálidaPouca gema ou gema de baixa pigmentação. É cosmético, mas o consumidor lê como qualidade.
Risco microbiológicopH acima de 4,1. É o único defeito desta lista que pode adoecer alguém.
Perguntas frequentes

O que perguntam antes de começar.

Por que o pH tem que ficar abaixo de 4,1?

Porque abaixo desse valor a Salmonella não sobrevive na matriz, e a maionese não leva tratamento térmico que a elimine depois. Esse pH é toda a segurança do produto. Mede-se em cada lote com potenciômetro calibrado, não se estima pela fórmula.

Dá para fazer maionese sem ovo?

Dá, com proteína de soja, aquafaba ou emulsificantes vegetais, e é um segmento em crescimento. Mudam a textura e o sabor, e o pH continua igualmente crítico. Legalmente, em muitos países não pode se chamar «maionese» sem ovo: rotula-se como molho tipo maionese.

Qual é o erro mais caro?

Homogeneizar pouco. É invisível ao sair da fábrica —o produto parece perfeito— e aparece semanas depois com o óleo separado na gôndola, quando o lote inteiro já foi distribuído e o cliente devolve.

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